Série Cineasta Iniciante, Episódio 4: Luz, sombra e ação.

Ninguém pode prever tudo o que você vai passar para fazer seu primeiro curta, seu primeiro filme. Quanto mais variáveis você visualiza e considera antes, mais agradável e fluido fica o processo. O melhor que você pode fazer é entender como outros filmes são feitos, para adequar suas ideias à realidade.

Esse material introdutório discute em episódios algumas dimensões do cinema que podem ajudar, na prática, o seu filme a alcançar um resultado final melhor.

Nos episódios anteriores (1, 2 e 3) falamos sobre o que vem antes da filmagem: montagem de equipe e conceito/roteiro. No episódio 1 conversamos sobre como planejar uma equipe para sua produção para evitar fazer tudo sozinho e explicitar no produto final suas limitações. No episódio 2 ensinamos que é preciso adequar suas ideias e ambições ao seu contexto de produção. Localizar suas ambições artísticas na realidade não é uma limitação, mas uma libertação. Conhecer mais formas de fazer cinema, que existem no mundo todo em todas as condições fazem você querer fazer filmes que você pode fazer. Essa é uma forma de satisfazer a si próprio com seu produto final e evitar a frustração.

O último episódio falou sobre a direção de arte, seus desafios complexos, suas soluções simples, e a importância de treinar o olho. Os comentários são para você. No episódio de hoje falamos sobre a direção de arte e seu papel na suspensão de descrença, uma condição fundamental para seu filme funcionar. O cineasta iniciante muitas vezes falha em “esconder” as condições precárias de sua produção, prejudicando o produto final. Conte como esse erro prejudicou seus primeiros filmes e projetos audiovisuais, ou como se sente em relação ao resultado final ou então como contornou essa dificuldade. Deixe o link, se estiver disponível, desse projeto para que possamos assistir e comentar nas respostas.

Nesse episódio você vai:

  • Conhecer alguns dos parâmetros que influenciam a captura de imagens;
  • Aprender como iluminar melhor algumas cenas;
  • Em quais configurações de câmera prestar atenção na hora de filmar.

Boa leitura.

Aos cineastas iniciantes,

Você sabe por que assistir seu filme te faz sentir constrangido? A frustração é o drama de todo cineasta iniciante que, apesar do julgamento pesado que coloca sobre as costas, às vezes não olha para o que deveria estar vendo. Esperando de seu pequeno público aprovação desproporcional, sabe, no fundo, que você mesmo não se orgulha plenamente do resultado final. O esforço e a jornada da produção certamente valeram a pena, e deve saber disso. É “só” a obra final que desagrada. Evite cair no erro de culpar as limitações técnicas do equipamento a que tinha acesso e dos outros iniciantes que trabalharam no filme como abordagem crítica, mas também não insista em se culpar por tudo. Suas limitações são apenas características de sua inexperiência e não vão te frustrar para sempre.

A luz faz o filme. Não existe cinema sem luz. Mesmo nas imagens não fotográficas, como na animação ou na pintura, a luz é componente essencial na composição da imagem, consequência natural do fenômeno da visão. Até para imaginar precisamos de uma fonte de luz. Essa ideia de plano que domina a concepção de algumas formas  de imagem representativa, dos limites da moldura na pintura aos limites do palco no teatro e da tela do cinema, descende ligeiramente das análises renascentistas. No período, era comumente aceito que o enquadramento de uma imagem, o seu recorte de um espaço maior, funciona basicamente como a visão natural. A analogia vigente, da pirâmide visual, traçava linhas saindo do olho e chegando ao objeto ou espaço olhado, onde as linhas formam a base de uma pirâmide. Desse recorte de um ambiente maior se faz a imagem representativa. Até chegarmos ao cinema, foram muitos anos de pinturas, esculturas, peças de teatro e ilustrações, entre outros processos que já usamos para representar a realidade visual. 

El párpado: la última frontera. - CROA MAGAZINE
A analogia da pirâmide visual para o enquadramento.

Como estamos aqui para falar de cinema, falemos de cinema. O sujeito ou objeto no plano da frente (primeiro plano ou foreground) é comumente mais iluminado que o plano de fundo (segundo plano ou background). Essa é uma característica mais ou menos padrão, independente do estilo do filme ou do quanto esse plano da frente é mais iluminado que o de trás. O contraste também acontece no sujeito ou objeto em si. Esse contraste entre o quão claro está a parte clara da imagem e o quão escura está a parte escura da imagem é medida em paradas de luz. Quanta luz entra no sensor da câmera depende da configuração da lente, em particular da abertura do diafragma. Essa configuração altera esse contraste em relação às fontes de luz. A configuração de ISO, por outro lado, torna a imagem como um todo mais clara, intensificando a claridade da composição como um todo. A abertura do diafragma controla a quantidade de luz das fontes que serão captadas pela câmera, de forma que um diafragma muito fechado (f/16, digamos) realça o contraste entre as partes claras e escuras da imagem, mas não intensifica a claridade da imagem como um todo quando está mais aberto (f/2). Evidente que a imagem fica mais clara nessa configuração, mas isso ocorre porque mais luz está entrando, não porque os pontos de sombra estão sendo “artificialmente” clareados. O ISO pode ser muito útil em cenas noturnas ou de fim de tarde, mas jogar o valor de claridade muito para cima prejudica a qualidade final da imagem, tornando-a muito ruidosa e menos nítida. Muitas câmeras e lentes de entrada no mercado não possuem aberturas de diafragma baixas demais. Isso significa que podem não chegar em f/1.2, f/1.4 ou f/2. 

Essa característica desses equipamentos possui, além da alteração do contraste de luz capturado na câmera, outras implicações na direção de fotografia e estilo do filme. Qual é essa característica? A profundidade de campo. Em termos práticos, é a capacidade que você tem de desfocar o plano de fundo com a sua câmera, tendo um sujeito no primeiro plano em foco. Esse fenômeno é medido em termos de distância focal. Uma lente mais aberta possui distância focal menor ou mais rasa, uma mais fechada, maior ou profunda. As câmeras de celulares são exemplos de câmeras de distância focal profundas. É por isso que nos vídeos de celular tem muita coisa em foco. Essa é a diferença fundamental para a imagem capturada. Com um campo de foco profundo, mais coisas estão nítidas na imagem. Isso também significa mais contraste entre luz e sombra. Se você quiser capturar imagens como as dos filmes de Orson Welles, Jacques Tati, Roy Andersson, Terrence Malick ou no recente e conhecido A Favorita, de Yorgos Lanthimos, em que um ambiente inteiro está nítido, do primeiro plano ao segundo, precisa de um diafragma fechado, com grande profundidade de campo. Por consequência, pode precisar de mais fontes de luz, até porque o ambiente inteiro está sendo visto na cena, não apenas um rosto.

Contudo, essa proposta de nitidez completa da imagem, criando pinturas que se movem na tela do cinema, é menos comum. A imagem cinematográfica mais tradicional conta com a profundidade de campo rasa. Esse é um ponto que pode frustrar você ao capturar seu filme com equipamentos que não permitam esse desfoque muito intenso, como mencionamos, as câmeras e lentes de fotografia e vídeo mais acessíveis. O desfoque do plano de fundo permite uma captura mais dramática de rostos e ações. Um filme, em particular de ficção, tem mais “cara” de cinema quando você consegue fazer essa captura do primeiro plano com nitidez e o segundo desfocado, pois assim se convencionou a imagem fílmica. É essa profundidade de campo rasa que permite o efeito de desfoque no background. As lentes que permitem configurações de abertura baixas (abaixo de f/4), o que indica um diafragma mais aberto,  são as que conseguem realizar esse efeito. Vale lembrar que os celulares estão se desenvolvendo nessa direção, e já é possível, em modelos top de linha, focar o primeiro plano com desfoque do segundo. Além disso, existem desenvolvimentos de software que identificam pessoas no primeiro plano e desfocam o segundo, sem precisar entrar nas configurações analógicas da entrada de luz na câmera.

A outra configuração de câmera que influencia a imagem capturada é a velocidade de captura. Ela influencia não apenas na luminosidade da imagem e no contraste, mas também em como a câmera irá registrar o movimento. Sua câmera, quando configurada para filmar numa velocidade muito baixa, velocidade essa que é medida e indicada em frações de 1 segundo – de 1/3 até 1/4000 – e abaixo de um segundo – podendo levar até uns 30 segundos de captura. Esse tipo de configuração extrema é mais usado em casos particulares da fotografia. A velocidade de captura para o audiovisual impacta, como mencionamos, na percepção do movimento. Quanto maior o tempo de exposição, mais luz entra no sensor. Na filmagem, o efeito produzido pode emular, por exemplo, um estado de embriaguez de um personagem. Isso acontece porque as fontes de luz e a luz refletida nos sujeitos e objetos em movimento deixam “rastros” na imagem capturada. Caso sua velocidade de captura esteja muito alta, vai notar barras pretas piscando no visor da câmera. Isso quer dizer que a relação entre as métricas de luz está incorreta, e sua imagem está escura demais para essa velocidade de captura. Ou se reduz a velocidade, ou aumenta-se a iluminação. Imagens capturadas mais lentamente produzem menos nitidez do que imagens capturadas com velocidade maior. 

A Boat Against the Current: Movie Quote of the Day ('The Godfather: Part  II,' With the Kiss of Death)
O uso da profundidade de campo rasa é importante para destacar ações dramáticas de personagens, em ambientes com muitos figurantes.

Conversamos sobre isso para te dar uma ideia dos processos técnicos que envolvem a criação de imagens fotográficas. O mais importante não é saber as regras a seguir, mas quais elementos influenciam na criação de uma imagem. Se você já se aventurou a tirar fotos, em uma viagem, uma festa ou no dia-a-dia, sabe que por vezes alguma condição natural da iluminação prejudica a cena capturada. Pode ser que a iluminação no rosto de uma pessoa esteja muito boa, mas no background tenha um carro estacionado, que não acrescenta nada à imagem que você quis capturar. Um fotógrafo experiente, contudo, sabe o que manipular para obter um resultado específico.

No cinema, em que a ambientação costuma ser mais controlada, e dizemos costuma porque se você estiver filmando numa rua aberta qualquer coisa pode acontecer fora de seu controle, é preciso saber quais são as condições naturais e artificiais que você pode mexer. Na fotografia de rua ou no documentário, você move a câmera e o corpo (consequentemente, o enquadramento) para driblar esses empecilhos naturais. No cinema de ficção isso também acontece, mas você também vai encontrar momentos em que você tem que mover os objetos, os atores e a luz para se adequarem à câmera. 

Le Rayon Vert (1986) Eric Rohmer - Marie Rivière | Aesthetic movies, Film  photography, Film stills
Os filmes diurnos de Rohmer.

Capturar imagens se orientando pela pura intuição ou tentando seguir vagamente uma regra podem levar a erros e acertos aleatórios. É muito mais produtivo saber quais são as variáveis que influenciam no que você vê no LCD da câmera ou no monitor. Dessa forma, você pode fazer o que você quer com aquilo que está ali na sua frente. Garantindo um resultado menos frustrante. Por isso, também, vale investir em opções. Ter luzes extra no set podem resolver cenas de forma que terminem do seu agrado.

Dessa forma, pode começar com alguns fatos básicos sobre a luz:

1- A maioria das superfícies reflete uma quantidade de luz. 

2- A maioria das superfícies absorve uma quantidade de luz.

3- A luz se torna mais difusa (e consequentemente suave) quando atravessa algum tipo de material translúcido.

4- A luz dobra e se distorce quando atravessa materiais transparentes de superfícies irregulares, como vidro ou líquidos.

INT. e EXT. DIA.

Um dos principais desafios no uso da iluminação natural para gravação em cor é o excesso de contraste entre pontos iluminados e pontos sombreados em um mesmo ambiente. Esse problema, que já é evidente com a câmera parada, é acentuado caso a câmera e os atores se movimentem pelo cenário. Você tem que lembrar que, como está operando sua câmera e configurando-a manualmente, não tem como fazer os dois ao mesmo tempo. Imagine que a sua cena se passa num quarto iluminado pelo sol que entra da janela. Se a câmera gira numa panorâmica de um lado de um quarto, as configurações para captura no lado iluminado são bem diferentes daquelas utilizadas para a sombra. A luz intensa do sol requer exposição menor, com a lente mais fechada (diafragma) e a velocidade de abertura maior para que os brancos da cena não fiquem “estourados” pela luz intensa do sol. O lado do quarto tomado pela penumbra exigem uma configuração em que a câmera tenha mais tempo de exposição, o que significa uma velocidade de exposição menor, ou mais luz entrando em contato com o sensor, o que significa uma lente mais aberta. Claro que as câmeras digitais possuem configuração automática de balanço de cor e exposição. Acontece que a capacidade das câmeras de entrada no mercado não garantem um ajuste sutil, o que prejudica o take final.

Rebatedor: O que é, Para que Serve e Como Aproveitar esse Acessório
Rebatedor, sendo utilizado num ensaio fotográfico externo.

A imagem estourada está superexposta, o que significa que seu contraste é extremo, criando um resultado final mais explosivo, com detalhes desequilibrados, o que é pouco fiel à experiência sensorial do olho normalmente. Um contraste normal exibe esses detalhes de forma mais equilibrada, de forma que a composição da imagem e sua hierarquia de informações, entre foreground e background, fiquem mais evidentes. A imagem clara demais prejudica a captura de detalhes na cena, seja o detalhamento da expressão facial ou uma ação realizada longe da câmera. Nos casos extremos, é um erro muito aparente para o público e se não for usado para um fim específico deve ser evitado, pois tira o público do filme. 

Existem duas formas simples de amenizar esses contrastes duros da luz natural. A primeira é utilizar uma outra fonte de luz. Um led ou um refletor, dependendo de seu orçamento. Equipamentos de iluminação que oferecem bom resultado na câmera são acessíveis, comparados com equipamentos de áudio, por exemplo, em que os baratos acabam sendo peneiras para tapar o sol. Muitas vezes o improviso com a luz pode criar um resultado mais criativo e que compõem bem a imagem ao invés de distrair o público. Luzes de led estão cada vez mais baratas e portáteis.

O que é a profundidade de campo em fotografia?
Ilustração demonstrativa da profundidade de campo de acordo com a abertura de diafragma.

A segunda solução é um rebatedor. Qualquer superfície plana na cor branca, preta, prateada ou dourada cumpre as funções desse equipamento, um lençol, um metro de tecido, e até uma folha de papel sulfite ou alumínio para plano detalhe são exemplos de substitutos, mas o ideal é comprar o produto, que é bem acessível. Além disso, é fácil de usar. Quando utilizando um ponto de luz único, seja o sol ou um refletor, para filmar objetos ou rostos humanos, a luz fica o que se chama de “dura” demais. O uso desse único ponto de luz, por consequência, contorna muito abruptamente as linhas do objeto ou face. Isso pode não favorecer os traços do rosto de um ator e transmite um aspecto de escassez no set. Esse é um exemplo de detalhe superficial, como comentamos semana passada, que tira o espectador da experiência do filme e o faz reparar nas condições de sua produção, mesmo que ele não saiba dizer porquê. O rebatedor preenche a iluminação de forma que essa luz fica mais “suave”, e portanto menos “dura”. 

Os filmes de Rohmer são muito claros, o diretor francês ambienta muito de sua ação durante o dia. Suas imagens são bons exemplos de imagens diurnas, iluminadas com proposta naturalista mas com os detalhes equilibrados e os rostos das personagens banhados de iluminação suave, ao mesmo tempo que o diretor não ignora as sombras naturais que acontecem nas cenas provocadas pelo sol.

Um cuidado para tomar com cenas diurnas em ambientes fechados são as janelas. Se elas aparecem no background, podem servir de fonte de luz, mas não quer dizer que o ambiente esteja bem iluminado por elas. Tudo lá fora fica muito claro enquanto o interior fica escuro. Um recurso é aumentar a exposição na câmera, abrindo o diafragma e descendo a velocidade de captura. O problema disso é que o exterior fica muito claro e a câmera registra um grande clarão branco, se faz um dia ensolarado, ou a imagem inteira fica turva, se faz um dia nublado. A solução não é colocar uma fonte de luz do lado oposto da janela. Quer dizer, pode servir caso seja uma luz sutil direcionada no sujeito, para não ficar só a silhueta contra a claridade da janela. Contudo, se você apontar uma fonte de luz mais forte para o teto você consegue iluminar o interior, sem mexer muito na câmera. Isso permite que tanto o interior quanto o exterior sejam capturados com definição e não fica nem claro demais lá fora nem escuro demais aqui dentro. Um rebatedor e luzes de menor intensidade servem para preencher o ambiente e suavizar a iluminação de rostos e objetos importantes na cena.

INT. e EXT. NOITE.

Existem, sempre, exceções. O repertório imagético dos filmes noir, do expressionismo cinematográfico e do horror foi construído sobre uma proposta de estilo em que o ponto de luz único e o contraste bruto da luz dura sobre rostos e objetos é utilizado como elemento diegético essencial. Essa proposta, em todos os exemplos, é um mecanismo representativo da perturbação da mente humana e recurso para ilustrar como a perspectiva desses personagens consumidos pelo medo, pelo desejo e pela paranóia  distorce o outro – pessoas, objetos, locais e cidades. Essa distorção que as sombras acentuadas desenham sobre os objetos é a essência desses cinemas pouco sentimentais. Note que são gêneros associados à noite, de forma que esse ponto de luz é artificial (por vezes sendo usado para servir de lua). 

Taxi Driver - Music Video - New York City in 1976 - YouTube
Taxi Driver, a dramaticidade da noite explorada narrativamente e visualmente.

Outro ponto digno de nota é que esse tipo de iluminação é característico de momentos de tensão ou são reservados para o clímax do filme, em que a noite desperta o pior dos personagens, sendo o dia usado para levar a narrativa de um ponto para o próximo e os personagens de um local para o outro, de forma que são iluminados de forma mais natural.

A única coisa que acaba mudando, essencialmente, do dia para a noite, é bem óbvia: você pode precisar de mais luzes. Toda a iluminação de cenas internas noturnas será artificial. Nas externas, é difícil que a lua, quando cheia, e os postes de luz na rua dêem conta de iluminar bem o que estiver em cena. 

Existem dois cuidados a se tomar quando filmando cenas noturnas: o primeiro é não iluminar de forma muito exagerada e perder naturalidade. A dramaticidade da sombra, o terror do escuro, a silhueta contra a lua, o silêncio e a intimidade que vem com o fim do dia e as atividades secretas das madrugadas dos personagens são terreno fértil para as narrativas audiovisuais e, antes disso, o imaginário folclórico da humanidade – a sombra, a penumbra e o breu são, acima de tudo, possibilidades. Por isso, iluminar de forma que ainda falte luz é importante, caso sua cena procure explorar esse potencial da noite. Qualquer que seja o contexto e a função dessa cena, contudo, o objetivo é o mesmo: iluminar os pontos certos. O segundo cuidado é não elevar demais o ISO para compensar a falta de luz. Isso prejudica a nitidez e a qualidade da imagem final. 

As câmeras estão ficando cada vez melhores em enxergar no escuro. As pequenas e leves câmeras digitais dão de lavada nas analógicas, nesse aspecto. Capturar uma imagem em película requer fontes de luz muito mais intensas e em maior quantidade. Além disso, todo o processo de interação entre o tipo de filme e a iluminação devem ser levados em conta quando usando das analógicas. Esses e outros problemas que você terá caso escolha o processo antigo (e ainda cultuado por muitos realizadores) podem ser contornados com os recursos digitais de pós-produção, também.

Os editores de vídeo oferecem diversos recursos de finalização de cor e ajustes de luz. Muitos podem deixar sua imagem com cara de “barata”, se não utilizados com cuidado. Hoje em dia, os filtros de alto contraste e tom sépia lembram os primórdios das produções digitais e podem passar a impressão errada. Tudo isso também depende de tom e efeito pretendidos por você como cineasta.

Conclusão

Pequenos investimentos em luzes de LED podem te ajudar. Se possível, procure iluminação dedicada para a filmagem de vídeos ou fotografia. Caso contrário, luzes de jardim, por exemplo, são encontradas com preços acessíveis em lojas de material para a casa. A locação de luzes profissionais também é uma opção. Procure saber de negócios que prestam esse serviço em sua cidade.

A luz é parte importantíssima na soma misteriosa do filme, e funciona com interações muito detalhadas que levam anos para entender plenamente. O que você pode fazer? Manipular. Mexer seus atores, suas luzes, mexer na câmera. A imagem final é produto de sua manipulação, por isso, para criar imagens mais carregadas de interesse visual para o espectador, sem tirá-lo da experiência com erros principiantes, é importante que você conheça quais elementos podem ser manipulados para criar uma imagem.

Nos falamos semana que vem, no próximo episódio da série Cineasta Iniciante.

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