A narrativa pela montagem

A montagem começou a ser estudada e testada como ferramenta narrativa em 1896 na Rússia, antiga União Soviética. Anterior a esse momento, tinha apenas o objetivo de dar sequência lógica entre uma cena e outra. Com a prática e estudos do cinema russo, movimento marcado pelo teor político e estética construtivista nos filmes, tem-se a inovação do uso da montagem, em especial por Sergei Eisenstein, Dziga Vertov e Lev Kuleshov, como será visto a seguir.

Sergei Eisenstein foi, não apenas um cineasta, mas também teórico da área com grandes contribuições literárias sobre a montagem “intelectual” e “dialética”. Eisenstein explorava as diferentes possibilidades de combinações de takes e os significados originados da cada uma. Seu filme mais representativo do movimento é O Encouraçado Potemkin (1926). Conhecido pela famosa cena A Escadaria de Odessa, que conta com a tonalidade – tempo e ritmo entre os movimentos presentes na cena e nos cortes.

Dziga Vertov foi o idealizador do manifesto kino-glaz (cine-olho), o qual previa o uso da câmera móvel e tomadas rápidas. Em seu filme Um Homem Com Uma Câmera (1929), Vertov coloca em prática os conceitos presentes na sua famosa frase “Eu sou o cine-olho. Eu sou o olho mecânico. Eu, máquina, mostro-lhe o mundo como somente eu sou capaz de ver”. Na obra, filma de forma rápida e real o acordar e fluxo cotidiano de uma cidade.

Lev Kuleshov, também um grande personagem do movimento e contribuidor da área cinematográfica, teve como principal estudo a relação entre um plano e outro, o famoso Efeito Kuleshov. É possível perceber como a alternância e a combinação dos elementos, mesmo com a ausência do som ou texto, tem um potencial narrativo e expressivo de significados por si só. Como visto no Efeito, uma mesma imagem, seguida de diferentes outras, tem seu significado alterado respectivamente.

O raccord, também conhecido como match cut, é a conexão entre duas cenas, técnica fruto dos estudos do cinema russo. A montagem pode ser feita de três formas: elementos visuais, sonoros e/ou a partir do movimento. O primeiro, visual, consiste na combinação gráfica do plano, no qual a primeira e a segunda imagem remetem entre si. Já o segundo, sonoro, tem como base a similaridade entre o som da primeira cena e o da que virá a seguir.  Também pode ser feita por continuidade, ou seja, alguém termina uma fala em uma cena que é continuada pela mesma pessoa ou por outra na cena consecutiva. Por fim, o de movimento, consiste em uma ação que não é finalizada na mesma cena, mas sim na que está por vir. Veja os exemplos das três formas abaixo.

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *